Valentim (ainda) não é Guardiola. Acalmem-se, Palmeirenses.

Ainda com o sentimento de incredulidade sobre a tragédia da última terça-feira, o futebol brasileiro recomeça a tomar seu curso normal – ou normal na medida em que algo voltará a ser normal depois de momentos tão tristes e tão emocionantes nos últimos dias.

Poderia aqui abordar as desastradas declarações de dirigentes colorados, mas qual o sentido de se apontar dedos, desejar rebaixamentos e maldizer cartolas? Será que aprendemos algo com as manifestações de Chapecó e Medellín na quarta-feira?

Feita essa pequena digressão, podemos tentar voltar a olhar para o “bola e campo”. Desde terça-feira o mercado de técnicos segue a todo o vapor no Brasil. Cristóvão no Vasco, Abel no Flu, Roger no Galo… E o Palmeiras?

No ano de nosso último (agora penúltimo) título Brasileiro, vimos nosso técnico e muitas de nossas estrelas partirem logo após a conquista. Agora, vemos a situação se repetir com Cuca. Todos desejavam sua permanência, mas sua vontade de passar mais tempo com a família falou mais alto.

Sem Cuca, a imprensa iniciou especulando Roger como seu mais provável substituto, até que se confirmou que seu destino para o próximo ano seria MG. As discussões passaram então a se concentrar em basicamente dois nomes: Eduardo Baptista e Alberto Valentim.

A posição da torcida foi clara: Valentim era o nome ideal. Seria “estudioso, moderno, já conhece o elenco e, na pior das hipóteses, pode esquentar o banco enquanto Cuca não retorna”. A realidade, no entanto, aponta na direção do filho de Nelsinho Baptista, o técnico responsável por barrar Evair em 1992.

Ante a quase certeza da contratação de Baptista e o anúncio do pedido de demissão de Valentim, a torcida do Palmeiras resolveu chiar nas redes sociais, definindo como injustiça o tratamento dado ao auxiliar técnico.

Mas, seria Valentim um bom nome para este momento? É possível que sim, é provável que não. No momento de incerteza futebolística, o desconhecido parece sempre melhor. O técnico estrangeiro que virá com ideias revolucionárias (alô, Gareca!). O auxiliar estudioso com potencial (alô, Marcelo Villar). O técnico da base com bons resultados (alô, Narciso!). O escudeiro que conhece de perto o método de trabalho do medalhão (alô, Murtosa!). Mas a otimismo com o desconhecido geralmente se vai na hora em que ele se torna conhecido e a realidade se sobrepõe às nossas expectativas.

É evidente que Valentim pode vir a se tornar um técnico de primeiro nível – e se assim fizer, que um dia volte para sentar no banco do Palmeiras. Mas hoje, Valentim não fornece qualquer segurança que justifique o amendoim, a corneta e a mini-crise que a torcida tenta, involuntariamente, plantar.

Todas essas reações da torcida nos levam, invariavelmente, ao ano de 2009, e a idealização que se criou sobre o trabalho de Jorginho após meia dúzia de bons jogos. Jorginho ainda fez um excelente trabalho na Portuguesa, mas sua carreira de fato nunca decolou. Isso, no entanto, não impediu Palmeirenses de pedirem seu nome a cada vacância da posição principal no banco alviverde. 2009, que durante sete anos pareceu que jamais chegaria ao fim, deveria ter ficado para trás após a conquista de domingo. Parte da torcida, no entanto, insiste me revivê-lo, agora na figura de Valentim.

Palmeirenses, deixem Valentim seguir sua vida. Deixem Eduardo Baptista ter sua chance no Palmeiras. E, principalmente, deixem a diretoria fazer seu trabalho. Após 2016, acho que fizeram por merecer este voto de confiança.

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