Perspectivas de 6 meses atrás

Como o povo está careca de saber (Sendo aqui o povo representado pelos colegas deste site), a minha promessa do final do ano (passado) foi dissertar sobre o (então) futuro do São Paulo Futebol Clube, que acabara de ser marcado em brasa pela tão adiada mas não menos impactante despedida de seu goleiro, capitão, símbolo e proprietário por usucapião Rogério Mucke Ceni.

Não acho necessário apresentar desculpas pelo atraso do texto (até pela falta de vergonha na cara que me é característica), mas digo que foi melhor assim, pois, quis o destino (e me convenci de que foi mesmo obra dele) que a equipe tricolor tenha nos surpreendido tão positivamente nesse primeiro semestre do ano que já não é mais vindouro.

Digo isso já que não parece ter havido um planejamento minucioso da diretoria para a montagem do elenco deste ano, como aconteceu, por exemplo, em 2004, quando o recém -chegado Cuca trouxe na bagagem de mão boa parte do elenco com quem tinha feito sucesso no Goiás no ano anterior, medida que foi o primeiro passado de um período de glórias inesquecíveis e sucesso duradouro.

Houve mudança de técnico desta vez, mas não foi ele quem escolheu as peças de seu futuro tabuleiro. Até recomendou a contratação de alguns jogadores, mas as negociações acabaram não sendo concluídas.  Teve, portanto, que usar o material humano que já havia à disposição.

E, contra a lei das probabilidades, conseguiu bom fruto na empreitada. E isso não era o que nós esperávamos, já que o histórico recente apontava para a troca impulsiva de treinadores a cada mau resultado (vide caso Doriva), a estranha queda de rendimento de jogadores sabidamente talentosos (O nome de Ganso surge em contornos reluzentes, mas há também Michel Bastos, Allan Kardec…) desembocando no buraco deixado pela ausência da liderança de Rogério Ceni.

Patón Bauza é argentino como Juan Carlos Osorio, que teve começo promissor, provocou uma espécie de deslumbramento na imprensa, mas não apresentou resultados consistentes, deixando como legado a inventividade no posicionamento dos jogadores e os bilhetinhos escritos durante o jogo com canetinha colorida.

Não tinha Patón, portanto, o trunfo da novidade de ser um técnico estrangeiro nem o costume de utilizar métodos peculiares de trabalho  que garantissem matérias jornalísticas interessantes para toda a família.

Pelo contrário, sua visão pragmática do jogo lembrava outro símbolo vencedor do Clube da Fé, Muricy Ramalho. Parece improvável que isso não tenha passado mesmo que rapidamente pela cabeça da diretoria.

O fato é que hoje vemos Paulo Henrique Ganso se apresentando para o jogo, se colocando disponível para os companheiros, ajudando na marcação e entrando na área para finalizar. Hudson se firmou como volante que sabe proteger a defesa e começar as jogadas ofensivas. Michel Bastos têm feito gols decisivos e mostrado vibração. Presenciamos a  recuperação de um espírito que desconfiávamos nem existir.

Outra boa-nova da temporada  foi a contratação de poucos e fundamentais reforços que vieram  preencher lacunas importantes no plantel, caso de  Jonathan Calleri que, em pouco tempo, se mostrou mais confiável e matador (no bom sentido) que Luis Fabiano e também de Maicon, que ocupou a vaga de xerife que havia sido criada sob medida para Lugano, só que com mais vigor e (admitamos) técnica, além de Kelvin que têm sido boa opção para desafogar (O Ganso?) o meio-campo.

Todos agora já sabemos que essa equipe foi talhada pela e para a Libertadores. A permanência de Maicon e Calleri depende da conquista do título da competição. Mas e a permanência desse brio, dessa reciprocidade entre as peças da engrenagem que criaram, malgrado as óbvias carências, uma equipe coesa, focada e em ponto de ebulição?

O início do Campeonato Brasileiro, a convocação do maestro Paulo Henrique Ganso e de Rodrigo Caio para a seleção brasileira e a perspectiva de perder em breve os dois melhores reforços do time nos fazem enxergar, mesmo que a contragosto a limitação e insuficiência do elenco são-paulino para as disputas do resto do ano. Fica aqui o pedido por novas e talentosas peças para a máquina tricolor para que a inspiração e transpiração desse primeiro semestre não se transformem em suspiros no segundo.

Comments

comments