O restabelecimento da normalidade no futebol brasileiro

A Teoria Senna-Santana de Inversão da Polaridade do Futebol Mundial desenvolvida aqui por Leo Rossatto é provavelmente uma das mais precisas e brilhantes explicações sobre os acontecimentos que marcam o futebol mundial desde 2008.

A teoria, cuja comprovação estatística é questão de tempo, afirma que “a polaridade do futebol mundial foi invertida em 29 de junho de 2008 e voltou ao normal em 09 de abril de 2013”. Em outras palavras, no referido período eventos outrora inimagináveis tomaram de assalto o futebol mundial, tais como os títulos internacionais de Corinthians, ou as conquistas dos selecionados da Espanha e México (Jogos Olímpicos de 2012), após anos de seguidas decepções.

A conquista da América pelo Atlético-MG em 24 de julho de 2013 já havia revelado uma faceta desconhecida da citada teoria: a dita “volta ao normal” ocorreria em ondas, não atingindo todas as agremiações mundiais no mesmo momento. Deste modo, o Galo de Minas soube aproveitar-se de seus últimos momentos sob a égide da polaridade invertida e conquistar o mais importante e improvável título de sua história.

Os efeitos reflexos do período de polaridade invertida não durariam para sempre, evidentemente. Aos poucos, todos vão sendo atingidos pelas ondas de normalidade, com consequências variadas, em alguns casos, quase catastróficas. Vide, por exemplo, o caso da Seleção Mexicana, antes amarelona contumaz em competições de ponta, campeã olímpica no período de polaridade invertida. Uma vez atingida pela onda de normalidade, atingiu níveis de “pipoquice” até então desconhecidos, aproximando-se perigosamente da eliminação vexatória antes mesmo do início da Copa do Mundo.

Evidentemente, este texto não tem o objetivo de analisar a situação do escrete da Televisa. O objetivo é demonstrar que a onda de normalidade atingiu de vez a Terra de Vera Cruz, para alegria geral no ludopédio brasileiro – e não há exemplo maior do que a semana corrente.

A Semana de 20 a 26 de outubro e a volta da normalidade ao futebol brasileiro

Eventos diversos colocam a presente semana como evidência cabal de que a polaridade está praticamente normalizada em todo território nacional.

O primeiro e mais evidente indício diz respeito aos coirmãos paulistanos, Corinthians e Palmeiras.

Pelo lado alviverde, a prova não reside no retorno da equipe do Parque Antártica Allianz Parque à elite do futebol brasileiro. Em verdade, os sinais de que as alamedas de Perdizes vivem dias normais estão ligados justamente às polêmicas envolvendo Palmeiras e WTorre. Não há sinal maior de normalidade no Palestra Itália do que uma crise sem precedentes em uma semana que deveria ser marcada pela celebração do fim do martírio da Série B. Na realidade, até mesmo a celebração já virou alvo de polêmica.

O caso da equipe de Parque São Jorge Itaquera é emblemático. Ao lado da Fúria Roja, a eterna equipe de Luizinho, o “Pequeno Polegar”, talvez seja a que melhor soube se aproveitar dos anos de polaridade invertida no futebol. Mais impressionante do que os títulos internacionais conquistados é o estádio que o clube levará de herança deste lustro de raros acontecimentos no futebol. No entanto, aquilo que a eliminação na Libertadores 2013 já indicava, foi amplamente confirmado na noite de ontem, com os protestos causados pelo pênalti batido por Léo Rocha Alexandre Pato e defendido por Dida. O Corinthians que todos conhecemos não é aquele em que a torcida aplaude eliminação, mas sim aquele em que pênaltis perdidos e eliminações são estopins para revoluções, pichações e atitudes irracionais da diretoria, que no futuro somente servirão para prejudicar a própria equipe. Porcos e periquitos saúdam o retorno dos mosqueteiros à terra da irracionalidade.

O leitor incauto poderia esperar que a confirmação de que a equipe do Jardim Leonor Morumbi já foi também atingida pela onda de normalidade reside nos resultados positivos das últimas semanas, com o consequente afastamento do fantasma do rebaixamento e a luta pelo bicampeonato de uma competição internacional. Não. O leitor atento sabe que não há prova maior de que o tricolor paulista voltou à normalidade do que Rogério Ceni. Não pela sua suposta atuação magistral, evidentemente, mas sim pelos textos de louvor que parte da imprensa dedicou na manhã desta quinta-feira ao goleiro são-paulino, inclusive com pedidos de sua convocação para a Copa de 2014 – mesmo após um ano em que falhas (com as mãos e com os pés) foram mais constantes que as defesas dignas de nota. O fascínio que Rogério Ceni exerce em parte da imprensa especializada é inexplicável. As obras de endeusamento após uma atuação marcada por um punhado de defesas em câmera lenta e um outro tanto de defesas cujo nível de dificuldade foi aumentado pelo mau posicionamento do ancião arqueiro são a prova cabal de que tudo voltou ao normal na Praça Roberto Gomes Pedrosa.

Por fim, temos o caso dos cariocas, Flamengo e Botafogo.

Do lado rubro-negro, o brilho fugaz do perna-de-pau artilheiro que tem o nome cantado em uníssono pela torcida é tudo aquilo que se espera da equipe da Gávea. As atuações de Obina Hernane Maravilha Brocador e a exaltação da torcida flamenguista por parte da imprensa é a maior prova de que não há mais razões para se preocupar com polaridades invertidas no Ninho do Urubu. Tudo está de volta ao normal no Flamengo, inclusive seu nível de endividamento.

Já o Botafogo… ah, o Botafogo é um caso especial. Marcado historicamente como cavalo paraguaio, via em 2013 o ano da redenção. Comandados por Sérgio Manoel Seedorf, os torcedores de General Severiano acreditavam piamente que este ano seria diferente. A vaga para a Libertadores no Campeonato Brasileiro parecia garantida e o título da Copa do Brasil pintava como um sonho possível. Até os 4 a 0 dos comandados de Andrade Jayme de Almeida. Hoje a torcida do Botafogo olha para 2013 com a certeza de que nada mudou na equipe – nem agora, nem nos últimos anos. Ao constatar que entre 2008 e 2013 a polaridade do futebol mundial se inverteu para todos, menos para o alvinegro da estrela solitária, é impossível não repetir a expressão de que “tem coisas que só acontecem com o Botafogo”. Sinal maior de normalidade não há…

 

A foto de capa é do site do Flamengo

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