[GUEST POST] Reféns do Centenário

Autor convidado – André Galvão (@dehcogalvao)

Desde meados de 2009, quando na ocasião escrevia sobre o Palmeiras para um blog, não passava a limpo minhas impressões e sensações referentes à Sociedade Esportiva Palmeiras. Agora cá estou tentando prever, dias depois de confirmado o 2º “retorno à elite”, o que será do futuro baseado no que vi de uma campanha sem tanta raça dentro do campo e com muito racha fora dele. 

Muito diferente de 2003, quando o time subiu em Garanhuns e todos sentiram orgulho do renascimento palmeirense sem virada de mesa, em 2013 presenciei in loco um marasmo enorme dentro de campo e uma torcida tão rachada e confusa que só se compara à política do clube. Particularmente, não comemorei e muito menos vaiei, apenas senti aquela sensação de dever cumprido e alívio momentâneo que logo se transformaram em questionamento. Sendo assim cheguei à conclusão que festa pelo acesso, pelo “renascimento” e “volta por cima” só se “comemora” uma vez na vida de um time grande, numa segunda vez é um puro anticlímax com a sensação de obrigação perante sua torcida.

Passado o momento do acesso consumado, começaram as notícias, plantadas ou não, sobre o tão aguardado ano do centenário, juntamente com inauguração do Allianz Parque e a esperança de um time que honre as tradições do maior campeão nacional… mas como pra todo palmeirense, NADA desde o time de Evair e Edmundo é tranquilo, só se ouve da direção do clube que se for preciso a obra do estádio pode parar (deixo pra outra hora minha opinião sobre o tema) e que não serão feitas loucuras pelo centenário. Automaticamente, quando o assunto se torna investimentos para o próximo ano, logo brotam entrevistas do ex-presidente responsável direto pelos 2 rebaixamentos, dizendo que o clube não pode gastar e também dizendo coisas do tipo “não sou eu que ganho muito dinheiro pra dizer o que fazer”.

Até agora de concreto, não se sabe quem comandará a equipe, quem vai chegar pra melhorar a base da equipe já formada pra 2014 (como o Paulo Nobre sempre diz) e quando enfim poderemos voltar pra casa, ou melhor, pro Parque. Mais importante que tudo isso, nada de concreto ainda sobre a mudança no bendito estatuto arcaico, permitindo eleições diretas com poder de voto aos sócios torcedores, que a meu ver, é o único rumo para uma renovação política (ainda com ressalvas) no clube.

O momento não traz conclusões, apenas questionamentos e o principal deles é o que REALMENTE está por trás da frase tão usada pela atual diretoria para demonstrar pés no chão, planejamento, austeridade financeira e profissionalismo na gestão: “não podemos nos tornar reféns do centenário”. Queria muito acreditar que a intenção é um Palmeiras forte não só em 2014, mas também em 2015, 2016… mas eu desconfio, e ainda temo pela volta dos que não foram!

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  • Estive pensando bastante na atual situação do Palmeiras e, de maneira geral, fico feliz por ter Paulo Nobre como o Presidente do ano do centenário. Embora eu discorde do nome Brunoro (pretendo escrever um dia sobre esta fixação que o Palmeiras tem em tentar reviver nomes do passado – na maior parte das vezes sem o mesmo sucesso), vejo com bons olhos o seu projeto de profissionalização (embora eu admita que não o conheça em detalhes).

    Espero realmente que o ano de 2014 seja tratado como um ano qualquer pelo departamento de futebol – que o Palmeiras monte um time competitivo e que seja base para anos vindouros de bom nível. Não espero (e nem quero) contratações bombásticas. Que bons negócios e negócios de ocasião sejam concretizados sem comprometer o orçamento futuro do clube, e que os erros da negociação com o Grêmio não sejam repetidos. Evidentemente quero um técnico mais capaz de trabalhar com o grupo que tem na mão e que consiga aproveitar melhor as peças mais ou menos razoáveis que surgem na base, mas isso nada tem a ver com o ano do centenário. Entendo que quem tem que pensar 2014 como ano do centenário é o Departamento de Marketing – para o Departamento de Futebol deveria ser um ano como outro qualquer (com o diferencial de voltarmos a ter casa própria).

    No mais, tenho sentimentos contraditórios com relação ao Mumu – tenho a certeza de que ele fez muito mal ao Palmeiras, mas não tenho tanta convicção de que ele esteja sempre “jogando contra” o clube. Na verdade, acho essa impressão geral negativa para a própria instituição, uma vez que muitos entendem que, por Mumu ser o mal encarnado, qualquer um que for contra ele será bom para o Palmeiras – e a história nos mostra que não é bem assim. Acho que só vivendo a política do Palmeiras no dia a dia seria possível chegar a uma conclusão sobre o real tamanho, influência e papel do Mumu.

    Uma coisa que, infelizmente, tendo a concordar com ele diz respeito ao pior presidente da história recente do Palmeiras. Por mais que não seja responsável direto pelas nossas maiores tristezas, e por mais que fosse muito bem intencionado, o fato é que a gestão Belluzzo nos machucou demais. Quebrou ciclos, interrompeu projetos, trocou os pés pelas mãos em todos os departamentos, inclusive no relacionamento com a torcida (organizada), e involuntariamente pavimentou o caminho para a desastrosa gestão do B1 e B2. Mas enfim, isso pode ser assunto para um outro post, ou até mesmo um episódio do Podcast…

    O fato é que não sei muito o que esperar do ano do centenário. Na pior das hipóteses, podemos ao menos nos contentar por ter a mais bela Camisa de Goleiro dos últimos anos…