[GUEST POST] Choques na Gestão

Autor convidado – André Galvão (@dehcogalvao)

 

Falar e escrever sobre a Sociedade Esportiva Palmeiras foi sempre um prazer pra mim e um dos meus passatempos preferidos, seja em que fase ou situação for, dentro ou fora das quatro linhas. Escrevi anteriormente uma coluna para os amigos do Segue o Jogo intitulada “Reféns do Centenário”, onde dava minha impressão a respeito do futuro do Palmeiras na época do acesso consumado a série A. Pois bem, a impressão que mais se confirmou foi em relação a política dos “pés no chão” (não necessariamente com conotação negativa) nas vésperas do aniversário de 100 anos da S.E.P.

Há de se reconhecer na gestão de Paulo Nobre o esforço em arrumar e organizar a casa para o futuro, depois de tantas atitudes lunáticas, passionais e por ventura até amadoras de gestões passadas. Por outro lado, temos uma lista de atitudes e ações (ou falta delas) equivocadas e no mínimo questionáveis da atual gestão Nobre/Brunoro, na qual encabeça a ainda mal explicada “operação Barcos”, passando também pela contratação de Weldinho por 5 temporadas e sendo emprestado logo em seguida, sendo que hoje só existe um lateral direito no elenco e que na verdade é um volante eternamente improvisado na função. Cito também a fraca atuação do caro departamento de marketing em relação ao centenário do clube, perdendo até pra tão criticada Macha Verde, que em todos dos dias 26 espalha por todo país faixas contanto os meses para o centenário. Não podemos esquecer também que o futebol profissional está sem patrocínio há 1 ano e este sim é motivo de preocupação, pois culminou em empréstimos milionários pelo próprio presidente aos caixas do clube.

Entre as polêmicas e questionáveis atitudes da atual gestão, deixei pro final a mais recente, a fatídica novela espírita com padrões globais: Allan Kardec. Sempre foi notório que no futebol, antigo ou moderno, o “passa moleque” existiu e me surpreende que quem esteja tão aprofundado no ramo não esteja “vacinado” contra isso. Numa negociação desgastante e que se arrastava por meses, era notório que uma das partes poderia ficar de “saco cheio”, e ficou… entre tantas ações em que o clube deixou de ganhar ou perdeu dinheiro, barganhar R$20 mil mensais depois de tanto tempo de negociação e com o martelo quase batido, foi um tiro no pé. Que o rival e inimigo histórico no período da 2ª guerra (como Paulo Nobre deu bastante ênfase em coletiva) é conhecido por quase todos os outros clubes do país como anti-ético e arrogante, é notório. Só que dessa vez, o Palestra deixou o antigo São Paulo da Floresta com a enorme chance de uma rasteira, logo nos primeiros dias da gestão neo-juvência do extremamente infeliz e antipático Aidar, ao não assegurar o principal atacante do time por valores, ao meu ver, cabíveis e deixando ele “pular o muro” após o staff do jogador se desgastar com Paulo Nobre e ouvir a proposta megalomaníaca do rival. Não isento Paulo Nobre também da polêmica, a coletiva que ele deu partindo pro ataque pra justificar o insucesso da negociação, pareceu um ato pra “jogar pra torcida” e tentar aliviar o lado dele com os próximos companheiros de chapa nas eleições do final do ano.

Falando em eleições, recuperar a espinha dorsal do elenco e conduzir bem a reabertura do Parque, serão essenciais para recuperar o prestígio e a confiança da torcida e dos próximos eleitores, os sócios.

Antes que me chamem de oposição predadora por algum chapa branca nas alamedas do clube, digo que apoiei a chapa de Paulo Nobre nas eleições, mesmo com a aliança com o até então “mal necessário” Mustafá. Como não sou sócio do clube e sim apenas mais um sócio-torcedor esperando a prometida reforma do estatuto pra poder votar, fico à vontade de criticar e elogiar quando merecido, mas até então eu vejo mais os choques na gestão do que os prometidos choques de gestão.

Enquanto isso a torcida espera a produtividade, pois está no contrato dos jogadores…

 

Sobre o caso Kardec, não deixe de ouvir o Podcast #19 – Kardec e a Ética, Neymar e as Bananas

 

A foto de capa é de César Greco e foi retirada do site da Jovem Pan

Comments

comments