Palmeiras campeão da Copa do Brasil. CANTA AÊ!

Poucas vezes em minha vida um grito de “É Campeão!” saiu com tanta emoção. Ganhar é sempre bom, mas vencer do jeito que vencemos ontem foi especial. Ao longo das últimas semanas afirmava para quem quisesse ouvir que o título já era nosso. Sugeria placares elásticos. Palmeiras 6 x 1. Palmeiras 5×1. Sugeria artilheiros improváveis. Amaral, João Pedro, Fernando Prass, um sócio avanti, Paulo Nobre. Mas isso era pilhéria. Era chiste. Era uma cortina de fumaça. Mostre para o mundo otimismo e galhardia e talvez você mesmo se convença que não há razões para ter medo. Mas não funcionava. A cada jogo mal jogado em Novembro, mais crescia a sensação de medo. Somos grandes? Somos gigantes – e o Zé nem precisava nos lembrar disso. Mas e se nos apequenarmos na hora da decisão? E se fossemos humilhados como nossos vizinhos de muro? Não. Isso não podia acontecer. Isso não aconteceria. Ganharíamos no chutão. Ganharíamos no coração. Ou perderíamos tentando. Mas não havia porque desistir. Palestras de Sérgio Mallandro, torcida de Alexandre Pato, pôster de campeão antes da hora da Editora Escala. Tudo era motivo para rir. De nervoso. Até então nervosismo era o único motivo para nos fazer rir. Mas já vencemos campeonato com Betinho no ataque e artilheiro no hospital com apendicite, por que não venceríamos com Dudu, Jesus, Robinho, Zé Roberto, Lucas Barrios e tantos outros? Quem queríamos enganar? Aquilo de 2012 foi um acidente da natureza. Bruno foi o craque do campeonato. Betinho o herói improvável. Dessa vez é diferente. É o Santos do outro lado. É Ricardo Oliveira, o Marcelinho Carioca de 2015. Mas aqui é Palmeiras, eu pensava. Parmera. Palestra. E chegou o dia de ontem. Chegou a hora do jogo. Quase tudo começa perfeito. Quase Jesus mostra seu poder. Parecia que seria mais fácil ganhar o título do que encontrar um streaming estável. Mas isso só durou 15 segundos. Que quando chegaram em Ithaca já deviam ter passado havia muito tempo lá na Turiassu. E foi bola na trave, foi zagueiro traíra saindo machucado. E nada de gol. Veio o intervalo. E cada vez mais difícil conter a ansiedade. Tente ver uma final sozinho, no meio de uma cidade fria, onde ninguém sabe o que é Palmeiras ou Copa do Brasil. É doloroso demais. Mas daí vem o gol. Dudu! Dudu! Dudu! Berro sozinho. O vizinho chinês provavelmente não faz ideia do que está acontecendo. Mais um vai! Mais um. E veio mais um. Dudu! Que chapéu! Que história! Está perdoado por tudo. Mas calma. Que é isso? Marquem, porra! Marquem! Não. Ricardo Oliveira não. Ele não. E agora? Como aguentar os penais? Prass bate o quinto? Será possível nascer outro gigante goleiro nos gols que consagraram Marcos em 99? “Lá vem Zapata para a cobrança…” ecoa em minha mente. Marquinhos Gabriel. Faça agora por nós o que você não fez no ano passado. Escorregou!! Escorregou!!! E como aguentar ver as cobranças? Não posso esquecer das superstições de cobrança de pênalti. Funcionaram tão bem em 99. Funcionaram tão bem em 2000. Sempre funcionou. É só apagar da memória as vezes em que não funcionou. Vai funcionar. Vamos! Vamos! Vai Prass! Defende o pênalti do Ricardo Oliveira! Defende e faz da nossa profecia do último podcast verdade! Vai! Quase! PQP! Meu Deus. Não erra isso. Não erra. Eu sempre falei de brincadeira que o gol do título seria seu. Não era pra levar a sério. Não erra Prass. Não dá pra olhar pra tela do computador. Não dá. GOL! GOL! É CAMPEÃO! É CAMPEÃO! É CAMPEÃO!!!!! Será que devo bater na porta do vizinho para buscar alguém para abraçar? Santa Internet que me permite confraternizar com os amigos e família mesmo longe. Mensagens de texto! Mensagem de voz! Ixi – mandei mensagem com palavrão para o primo de 5 anos! Não importa. É campeão. É campeão! Somos campeões.

 

Já posso voltar a respirar normalmente. Obrigado Palmeiras.

 

 

 

 

Foto da capa é de Fernando Dantas/Gazeta Press

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