Choro de Campeão!

20 de dezembro de 1992. Eu chorei por futebol pela primeira vez. A final do Campeonato Paulista acabara havia poucos minutos e meu pai tentava me consolar no estacionamento do Clube Pinheiros, onde fomos ver a transmissão da final. Naquele momento, do alto de meus oito anos de idade, eu tinha certeza que jamais veria o Palmeiras campeão. Mas meu pai me tranquilizou e falou para eu esperar.

19 de dezembro de 1993. Eu gritei “é campeão!” dentro do estádio pela primeira vez. No dia 12 de junho daquele ano eu já havia soltado meu primeiro grito de campeão, mas aquele 19 de dezembro teve um sabor especial. Embalados por um ano futebolístico maravilhoso e por uma vitória fora de casa no primeiro jogo da final, estavam no Morumbi quase 90.000 palmeirenses, prestes a celebrar o título brasileiro que não vinha desde 1973. Dentre estes 90.000, eu, meu irmão, meu pai e meu avô, que de algum jeito nos colocou para dentro do setor das cativas. (Meu primo lá estava também, mas se seu setor era ou não o do “mijão” é tema polêmico, que ainda hoje rende debates na família). Ao contrário do que ocorrera 364 dias antes, naquela oportunidade eu não chorei. Apenas sorri, celebrei e gritei “é campeão!”.

27 de novembro de 2016. Eu chorei por futebol pela segunda vez em minha vida. Desde aquele 19 de dezembro de 1993 minha relação com o Palmeiras mudou um bocado. Aprendi a amar ainda mais esse clube e a respeitar ainda mais sua história. Passei a prestar atenção a cada história que meu avô contava. A Arrancada Heroica de 1942, a entrevista de Fábio Cripa na Copa Rio de 1951, um gol antológico de Julinho Botelho, ou os carrinhos de 5 metros que apenas Junqueira era capaz de executar. Histórias que não presenciei, mas que sou capaz de reproduzir como se testemunha ocular fosse, de tantas vezes que pedi para meu avô as repetir. Desde aquele domingo de 1993, presenciei as minhas próprias histórias que um dia vou contar para meus netos. As atuações de Marcos na Libertadores de 1999, aquele gol do Léo Lima no Paulista de 2008, a frieza de Prass na Copa do Brasil de 2015. E contarei até mesmo os rebaixamentos ou a Mercosul de 2000, pois nem só de vitórias se faz uma paixão. Mas contarei com ainda mais carinho sobre o dia 27 de novembro de 2016 – o dia em que voltei a chorar por futebol.

Dessa vez o choro não foi por tristeza. Foi por alegria, por satisfação. Quando Jaílson deixou o campo para a entrada de Prass, foi impossível conter as lágrimas. Que lindas histórias que nós, Palmeirenses, estamos tendo o prazer de presenciar. Como somos sortudos de testemunhar histórias como essas para podermos contar para os Palmeirenses que ainda virão!

Mas também foram lágrimas de saudades. No meio desta campanha, meu avô partiu. Ele, que tantas histórias viu do Palestra e do Palmeiras, não estava aqui dessa vez para ler mais uma linda página desse livro, desta vez escrito por Jailson, Prass, Dudu, Moisés e Cuca. Quando Fernando Prass entrou em campo, tenho certeza que em algum lugar meu avô também sorriu e chorou, e contou para alguém ao seu lado a história de um dos tantos goleiros históricos de nosso time – e de quebra ainda cornetou o Zetti “que, no Palmeiras, só socava!”, como sempre lembrava ele.

Obrigado, Palmeiras. Obrigado, meu avô. Obrigado, Gabriel Jesus. Hoje já não choro pela incerteza dos próximos campeonatos, mas pelas boas memórias que ficaram e que ainda virão. Viva o maior campeão brasileiro de todos os tempos!

Comments

comments