Copa do Mundo: vencedores e perdedores

Acabada a primeira rodada da Copa do Mundo (o que na verdade acontecerá após o jogo entre Rússia e Coréia do Sul), já é possível definir alguns dos vencedores e perdedores da competição.

Não nos referimos aos resultados dos jogos, é claro, já que o nobre leitor não precisa do Segue o Jogo para explicar a derrota de Espanha, Uruguai e Portugal. Nosso objetivo é ir além das quatro linhas.

Os vencedores

Adidas…

Embora não tenha lançado a tempo suas chuteiras cano alto, a Adidas acertou em cheio naquilo que realmente importa: bola e uniforme.

A Gorduchinha Brazuca merece os parabéns pela sua discrição. Ao contrário da malfadada Jabulani, que se tornou bode expiatório para a falta de habilidade dos atacantes e goleiros há quatro anos, a Brazuca está sendo solenemente ignorada nas entrevistas pré e pós jogo.

Em sintonia perfeita com jogadores e estádios, tem encontrado a rede como poucos esperavam.

Além disso, a Adidas deu outro tiro certeiro com os uniformes das seleções que patrocina. Embora tenha cometidos alguns deslizes como a terrível camisa Nigeriana e os insossos uniformes de Bósnia e Argentina, a fornecedora Alemã foi brilhante no uniforme Mexicano, Russo (como sempre), Alemão e Colombiano.

 

russia 2014 colombia 2014 germany 2014 Mexico 2014

…e Puma

No grupo das três grandes fornecedoras de material esportivo, o destaque da Puma vai além das chuteiras de cores diferentes para cada pé. Com seu desenho característico, acertaram em cheio com os uniformes de Uruguai, Suíça e Itália. Além do grande destaque, o primeiro uniforme de Gana, mostrando que até mesmo uniformes brancos podem ser belos.

Ghana 2014

Torcida

Esqueçamos o inconclusivo debate sobre o direito à vaia (e se ele se estende ao xingamento). O simples fato de não haver o som de vuvuzelas constantes durante toda a partida já faz de qualquer jogo uma experiência mais agradável. Ouso dizer que mais vale um Irã x Nigéria sem vuvuzelas que um Espanha x Holanda ao som constante do aparato da torcida sul-africana.

As invasões sul-americanas aos estádios, os hinos a capella, os rojões que deram um clima de libertadores em Cuiabá, tudo isso tem sido um show à parte. Isso para não mencionar o congraçamento entre locais e estrangeiros nas ruas de cada uma das 12 cidades sede, mostrando que futebol é a única língua universal.

Os Gramados

Alguns estádios podem estar com problemas internos. Outros tantos podem apresentar dificuldades de acesso. Mas uma coisa é inegável: os gramados estão perfeitos. Se há um legado que pode ser deixado facilmente ao futebol brasileiro, este é sem dúvida a qualidade dos gramados. A Arena das Dunas é o maior exemplo disso. Castigada por fortes chuvas durante a primeira partida e durante as 48 horas que antecederam a segunda partida no estádio, o gramado se portou de maneira brilhante. Não havia uma poça d’água sequer. Que sejamos capazes de mantê-los assim após a copa.

Os Memes

As redes sociais parecem terem sido feitas para um evento como a Copa. A cada lance, belo ou bizarro, sabemos que em menos de dois minutos haverá uma nova peça humorística a seu respeito.

Embora nem todos primem pela qualidade ou efeito cômico, quando “as internets” acertam, o fazem de maneira brilhante. Tão brilhante que em menos de dez minutos você já não aguenta mais ver a piada, pois compartilhada por ao menos 62% de sua time line. Vide o caso do Chico.

chico buarque holanda espanha

Os perdedores

“Sou Brasileiro com muito orgulho, com muito amor…”

Ninguém espera que torcida de seleção se comporte como torcida de clube – para o bem e para o mal. Mas é impossível não ter arrepios cada vez que se ouve tal canção nos estádios da Copa. Se não bastasse ser chata (e objeto de discussão judicial), a canção tem sido usada para “roubar” o momento de celebração de outras nações, como bem destacou Adriano Feitosa aqui no Segue o Jogo.

Menos mal que, aos poucos, a ojeriza à canção parece ganhar adeptos além de Mauro Cézar Pereira.

Arbitragem

Desde a primeira partida do mundial as discussões sobre arbitragem têm dominado as mesas de boteco ao redor do mundo. Do pênalti inexistente sobre Fred, passando pelos gols mal anulados de Giovani dos Santos, até chegar à discutível expulsão de Pepe, árbitros e seus auxiliares têm tido influência direta no resultado final das partidas da competição.

O primeiro gol tecnológico da história, por sua vez, traz consigo sensações diferentes. De um lado, a esperança de que a tecnologia pode no futuro ajudar ainda mais na prevenção de erros dos árbitros e bandeirinhas. De outro, o desgosto de saber que isso poderia já ter sido feito há muito tempo, evitando discussões intermináveis e, quem sabe, até algum título do Corinthians…

 

 

Edição posterior: ocorridas mais algumas partidas, resta claro que o gramado de alguns estádios (notadamente Arena da Baixada e Fonte Nova) já apresentam sinais claros de desgaste – embora os sistemas de drenagem continuem impecáveis. Apesar dos problemas aparentes, não há nada que nos faça sentir falta de pelejas disputadas no “gramado” dos Aflitos…

A imagem de capa foi retirada do site da FIFA

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