Os grupos da Champions

Análise e palpites sobre os grupos da Liga dos Campeões da UEFA 2014-2015

 

O fim da Copa do Mundo deixou um vazio existencial e futebolístico quase impossível de ser preenchido. Embora contando com estádios modernos, o futebol brasileiro carece, segundo muitos entreguistas coxinhas torcedores da Portuguesa, de qualidade técnica, complexidade tática e organização mínima, o que contribui com a sua tão propalada perda de atratividade. Ainda que isso seja, de certa maneira, contraditório com o aumento de público observado no certame nacional, o desnível entre o que se joga nas quatro linhas no país e o que se pratica em alguns lugares do mundo é evidente.

A Liga dos Campeões da UEFA é o maior exemplo disso. Bem organizado, bem disputado e bem remunerado, o torneio intercontinental da Europa atrai as atenções do mundo inteiro. Até mesmo para etapas que são consideradas banais no congênere sul-americano.

O sorteio da fase de grupos dá o pontapé inicial para a fase mais importante da competição, e o Segue o Jogo dá seus palpites para essa etapa.

Grupo A

Atlético de Madrid; Juventus; Olympiacos e Malmö

Atlético e Juventus despontam como favoritos do grupo. O time espanhol tenta manter o ótimo momento e deve mostrar força depois das movimentações de mercado. Se perdeu peças importantes (especialmente Courtois, Diego Costa e Filipe Luis), contratou bem o suficiente para repor as saídas (Oblak, Cersi, Mandzukic e Griezmann) e fortalecer seu plantel para uma temporada em que não conta mais com o fator surpresa.

A Juventus, de técnico novo, tenta se reerguer no cenário europeu, após recuperar a hegemonia na decadente bota. O grupo da temporada passada foi mantido, mesmo com o assédio manchesteriano sobre Arturo Vidal mas, por outro lado, pouco se reforçou (Evra, Morata e Rômulo).

Grupo B

Real Madrid; Basel; Liverpool; Ludogorets

O Real Madrid aparece como grande favorito, não apenas à classificação do grupo, mas ao título. Não por acaso, já que o time campeão reforçou-se com Toni Kroos, James Rodriguez e Keylor Navas (contrataram o Chicharito também), o que criará uma boa dor de cabeça ao técnico Ancelotti. As perdas de Xabi Alonso e Di Maria, ambos titulares na temporada anterior, serão sentidas, mas os Merengues têm qualidade, tempo e dinheiro de sobra para se ajustar e buscar a 11ª taça.

O Liverpool, maior vencedor britânico, retorna ao torneio após um hiato de 4 temporadas e grande reestruturação interna. Perdeu o mordedor a estrela Luís Suarez, mas recebeu um elenco em retorno, algo que fez falta nas temporadas anteriores. Brendan Rodgers terá que se desdobrar para que a equipe almeje maiores vôos no torneio, mas a volta do tradicional clube de Merseyside é, em si, uma grande atração.

Após feito épico do Ludogorets na fase eliminatória preliminar, o time búlgaro deve disputar com o Basel a vaga na Liga Europa, mas sem grandes esperanças

Grupo C

Benfica; Zenit; Bayer Leverkusen; Mônaco

Grupo mais equilibrado do torneio, os quatro clubes têm condições semelhantes de classificação. Quem parece estar mais fraco é o Mônaco, que antes do divórcio da Copa era apontado como força ascendente da Europa. De lá para cá, perdas importantes e pouca reposição (como James Rodriguez e Radamés Falcao).

O Leverkusen vem forte, e começa bem o ano como possível surpresa na Bundesliga. É o favorito no grupo, mas não terá vida fácil. O Benfica teve uma ótima temporada em 2013-14 e mesmo seguindo seu perfil de clube vendedor, manteve equipe forte, além de contar com toda a tradição dos Encarnados. O Zenit apresenta seu novo fracasso técnico, André Villas-Boas e conta com Hulk comandando um elenco forte e turbinado pelo poderio financeiro da Gazprom.

Todos têm condições de se classificar, todos tem chances de terminar em último: Leverkusen e Benfica seguem na Champions, Zenit vai tentar a sorte na Liga UEFA.

Grupo D

Arsenal; Dortmund; Galatasaray; Anderlecht

Mais uma vez presente na fase de grupos, o desempenho do Arsenal é sempre uma incógnita. Momentos de brilho tático e capacidade técnica refinada mesclam-se com apagões e derrotas acachapantes. Mesmo após Wenger mudar sua política de contratações e gastar por jogadores como Debuchy, Chambres, Alexis Sánchez e Danny Welbeck, os Gunners não demonstram segurança suficiente para serem concorrentes ao título. Mas avançam às oitavas-de-final.

Os aurinegros do Borussia Dortmund tentam repetir o feito da temporada 2012-2013 e voltar a disputar o título da Liga dos Campeões. Contudo, não será fácil superar a perda de Lewandowski (e o trauma ainda sentido pela “traição” de Mario Götze) e, principalmente, a série de lesões que assolou o clube na última temporada. Com um pouco mais de sorte em relação aos bons reforços e ao departamento médico, o time de Jürgen Klopp não deve ter problemas para se classificar.

O time turco, por sua vez, deve contar com sua força em casa para terminar em terceiro ou então sonhar com uma classificação histórica, como a obtida ano passado, quando ainda contava com Drogba.

Grupo E

Bayern de Munique; Manchester City; CSKA; Roma

Se o grupo C é o mais equilibrado, este é o mais forte. Entre os menos cotados, o CSKA é o atual campeão russo, e a Roma, vice-campeã italiana, reforçou-se com Iturbe e Manolas (substituindo Benatia). Os donos do grupo, porém, devem ser os atuais campeões alemães e ingleses.

O Manchester City, ainda que limitado pelas sanções da UEFA por queimar dinheiro desrespeitar as regras de fair play da entidade, é uma das grandes forças do continente. Fernando, Mangala e Sagna – além do ex-blue Frank Lampard, reforçaram um plantel já bastante qualificado e que sofreu com muitas lesões na temporada anterior.

Já o Bayern de Munique tem o céu tanto como objetivo quanto como perdição. Muito se espera do time que venceu a Champions League em 2012-13, que se manteve forte na temporada seguinte e que contratou o técnico mais marcante de nossos tempos. Até por isso, qualquer insucesso do time ganha proporções catastróficas, atribuídas às experimentações táticas de Guardiola. Para evitar isso, o clube reforçou-se com Benatia, Bernat, Xabi Alonso, Rode e Lewandowski, muito embora tenha perdido Mandžukić e Kroos.

Grupo F

Barcelona; PSG; Ajax; APOEL

Na tentativa de retomar o posto de melhor time do futebol mundial, o Barcelona resolveu reestruturar sua equipe. Sanou velhos problemas, ao contratar goleiros (Bravo e ter Stegen) e zagueiros (Mathieu e Vermaelen). Trouxe Rakitić para comandar o meio-campo, após a queda física de Xavi e a saída de Fábregas e por fim montou o ataque Luís Suarez-Messi-Neymar. Rumo à classificação, nem Douglas parece ser capaz de atrapalhar a equipe Blaugrana.

 O outro grande favorito do grupo é o PSG, que tenta se consolidar como um dos grandes do continente. Para tanto, o clube manteve o elenco do ano anterior, acrescido de David Luiz e Serge Aurier. Teria contratado mais, não fossem as limitações impostas pela UEFA por desrespeito ao Fair Play financeiro.

Deixando a disputa da Copa Qatar de lado, o Ajax é a melhor aposta para a disputa da Liga Europa, consolidando seu papel de time mais azarado em sorteios dos últimos tempos.

Grupo G

Chelsea; Schalke; Sporting; Maribor

O segundo ano de José Mourinho costuma ser de alegrias para os torcedores de seus times. Foi assim no Porto, no Real Madrid e no próprio Chelsea, na passagem anterior. Um dos favoritos ao título europeu – bem como da Premier League, os Blues reforçaram o seu já amplo plantel com Fàbregas, Diego Costa, Filipe Luís, Rémy, Drogba e o retorno de Thibaut Courtois para duelar com Petr Čech no arco londrino. Passa do grupo com sobras.

Já a segunda colocação vai ser disputada a tapas entre o Schalke 04 e o Sporting Lisboa. Mesmo sem grande movimentação no mercado, os Azuis Reais contam com bons nomes, como Höwedes, Boateng, Draxler e Huntelaar. Já os Leões de Lisboa apostam na volta de Nani para superar as saídas de Rojo e de Dier e tentar avançar às Oitavas. Não é nada, não é nada, não é nada mesmo, e devem acabar na UEFA League.

Grupo H

Porto; Shakthar; Bilbao; BATE

O patinho feio dos grupos não conta com nenhuma grande força do futebol da Europa, mas não é por isso que não será disputado. Se Porto, Shakthar e Athletic Bilbao aparecem com chances de avançar, é o clube espanhol basco que tem desempenhado em nível mais elevado. A política de contratação apenas de jogadores locais não impediu aos Leones do San Mamés de manter uma equipe forte nos últimos anos, e agora está de volta à elite continental.

Para o Shakhar Donetsk, a fase de grupos será um momento de afirmação de seu projeto. Os conflitos na região Rússia leste da Ucrânia desalojaram o time da Donbass Arena, levando-o à região de Lviv. Longe de sua torcida e com um elenco receoso por sua segurança (incluindo atrasos na reapresentação e pedidos de transferência), os Mineiros terão que se superar para mostrar futebol competitivo em meio a tantos problemas.

O Porto, que não tem nada a ver com isso, tenta superar as perdas de Mangala e de Fernando com boas contratações (Adrián Lopez) e com outras nem tão boas assim (Casemiro). Mas o clube está abaixo do que demonstrou em seu passado recente, algo esperado para um clube com o perfil vendedor agressivo, e deve se contentar com a Europa League.

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