No Lulu do futebol, Nobre não foi injusto com Kleina

Ou porque a direção do Palmeiras acerta em oferecer uma proposta com redução salarial para o atual treinador palestrino.

Na manhã desta sexta-feira os debates nas redes sociais foram tomados pelo aplicativo Lulu, no qual homens são avaliados por mulheres a respeito de suas habilidades sociais, amorosas e sexuais. No meio de piadas e comentários sobre o tema, todos são tomados de surpresa pela informação de que o Palmeiras finalmente fez uma proposta para renovar o contrato de Gilson Kleina.

A notícia que tinha tudo para se transformar somente em decepção para a maior parte da torcida palmeirense, que já se manifestou contrariamente à sua renovação, teve o poder de também desagradar àqueles que na imprensa e nas redes sociais repetiram nas últimas semanas que a renovação de Gilson Kleina era justa e necessária.

A explicação reside no fato de que, ao invés do reconhecimento financeiro que muitos defendiam para Kleina, a diretoria alviverde ofereceu uma redução salarial. A informação inicial de que a redução seria de cerca de 50% em seus vencimentos foi posteriormente desmentida pelo agente do treinador e reportagens seguintes passaram a falar em redução de 30% com bônus em função de conquistas. Afinal, seria tal proposta sinal de desrespeito ou sinal de bom senso F.C. da diretoria palestrina?

Alguns fatores devem ser levados em consideração para uma avaliação justa da situação:

  • Gilson Kleina foi contratado pela gestão anterior, com salários de R$300 mil de acordo com informações amplamente divulgadas pela imprensa. À época, Kleina tinha como predicados para justificar o alto valor de seu salário nada uma série de campanhas razoáveis com a Ponte Preta (mas não extraordinárias, já que nem o Campeonato Paulista do Interior foi conquistado) e o inesquecível título de Campeão Alagoano de 2006 pelo bravo Coruripe. Ofertas de salários relativamente elevados não se restringiram a Gilson Kleina na gestão Tirone, como a renovação de Barcos e a quase-contratação de Riquelme deixam claro.
  • A atual diretoria alviverde não só insistiu no discurso de contenção de despesas supérfluas, como também colocou o discurso em prática. Barcos foi negociado, a contratação de Riquelme foi cancelada e não há notícias de jogadores contratados com altos salários. Por que seria diferente no caso do técnico?
  • Ao contrário do que seus defensores afirmam, Gilson Kleina não fez um grande trabalho em 2013 e não está garantido no rol de “grandes técnicos” do futebol brasileiro. A equipe jogou um futebol pouco envolvente durante todo ano, jogadores da base não foram aproveitados e Márcios Araújos foram mantidos. Nos campeonatos em que tinha possibilidades de mostrar todo seu potencial (Paulista, Libertadores e Copa do Brasil) foi incapaz de ir além do mínimo esperado. Na Série B, ganhar título com “time grande” não é sinal necessário de qualidade, ou estaríamos sendo injustos com Jair Picerni e Levir Culpi.

Muitos afirmam que o Palmeiras tem agido com desrespeito com Kleina durante toda a negociação. Seria o caso? Oferecer uma redução salarial é desrespeitar o treinador? Oferecer um salário de R$500mil e não pagá-lo seria por acaso mais respeitoso?

Ao fazer uma oferta dessa monta o Palmeiras manda um recado importante ao futebol brasileiro: não pagará caro por grifes, muito menos por genéricos. Atrelar a remuneração do treinador aos resultados obtidos é mais do que justo, tendo em vista que a receita do próprio clube está, em grande parte, também atrelada aos resultados dentro de campo.

Caso Kleina não aceite a proposta, ao torcedor palmeirense cabe não esperar a contratação de um nome badalado para dirigir a equipe no ano do centenário – a não ser que algum dos ditos “técnicos com grife” esteja disposto a arriscar seus ganhos em um contrato “de produtividade”. No mais, há uma série de técnicos no Brasil, no mínimo com nível igual ao de Kleina, que certamente estariam dispostos a trabalhar pela “pequena” quantia de R$210mil mensais. Cristóvão Borges, Vágner Mancini, Enderson Moreira e Gutto Ferreira são apenas quatro destes nomes.

Em dias em que celebramos braços cruzados como conquistas do futebol, a opção do Palmeiras de não gastar o que não tem é também uma conquista a ser celebrada.

Pelo menos até cenas dos próximos capítulos nos desmentirem…

Faça sua parte: cornete, comente, reclame ou peça para seu patrão reduzir seu salário para R$210 mil.

A foto de capa é do Site do Palmeiras.

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