[Guest Post] Sobre erros por ação e omissão

Autor convidado – Luís Henrique Amaral (@luhan_amaral)

Com apenas 13 jogos à frente do Palmeiras (3 vitórias, 1 empate e 9 derrotas), Gareca foi demitido. Era questão de tempo. No discurso dos dirigentes palestrinos, era consenso que “com o tempo Gareca saberia arrumar o time”, mas não teve tempo. E tempo é o que o Palmeiras não tem mais: estamos na metade do campeonato e o clube amarga a 16ª posição.

No meio dessa situação dramática, Paulo Nobre já definiu o perfil do próximo técnico: “Quero um treinador sério, trabalhador e que se identifique com o clube. Só precisamos acertar um treinador que consiga resultados no tempo que precisamos.”. Outra declaração dele: “Podemos errar por ação, mas nunca por omissão”. E foi atrás de Dorival Jr.

Essa atitude traz muitas informações por trás, vamos desmembrá-la e analisá-las:

De 2010 para cá, Dorival Jr treinou 6 equipes, ficando menos que um ano nelas: Santos, Atlético-MG, Internacional, Flamengo, Vasco da Gama e Fluminense. Será que ele é a pessoa certa para trabalhar contra o tempo?

Dorival Jr. já jogou no Palmeiras nos anos 80, e é sobrinho de Dudu, grande ídolo da torcida. Isso torna ele identificado com o clube?

A grande pergunta: será que Dorival Jr. realmente é esse profissional que busca o dirigente?

De 2007 para cá, o Palmeiras teve 11 técnicos (entre fixos e interinos), todos com pouco tempo na casa: Caio Jr, Luxembrugo, Jorginho, Muricy Ramalho, Antônio Carlos Zago, Jorge Parraga, Murtosa, Felipão, Narciso, Gilson Kleina, Alberto Valentin e Gareca.

Alguns dessa lista tem grande identificação com o clube: Luxemburgo, Zago, Felipão. Pela maneira que saíram, não deu muito certo.

Ao dizer que busca alguém identificado, fica clara a impressão que estão querendo jogar pra torcida. Em ano de centenário, está mais fácil apelar para a paixão do torcedor do que pela razão. Sabemos que está difícil achar técnico (bom) no mercado, mas se erramos nas métricas escolhidas, como chegar ao resultado obtido?

Quando li Paulo Nobre dizer: “Vamos errar por ação, e não por omissão”, fiquei pensando quantos erros por ação essa e outras diretorias cometeram. De repente, era hora de parar, respirar e estudar para simplesmente acertar.

*Com a colaboração de Alessandro Bianchini, escrito antes da confirmação de Dorival Jr. como técnico palestrino

A foto de capa é de Sergio Gandolphi

 

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