Não deixem a CBF transformar a Copa do Mundo num Brasileirão

No Podcast Especial de Copa #10 defendi que a falta de Zuñiga sobre Neymar era um lance para cartão amarelo.

Sei que a posição é controversa, mas faz parte da forma como vejo o futebol – e talvez ajude a explicar o porquê seja também um torcedor da seleção argentina. Para aqueles que estão surpresos pela minha defesa de um futebol de mais contato, lembrem-se que na seção “Quem somos” me descrevo como uma das viúvas de Mancuso – nem tudo naquela parte do site é brincadeira.

É evidente que Zuñiga não visou a bola. Tão evidente quanto o fato de que Zuñiga não tinha o objetivo de fraturar a segunda, terceira, quarta ou quinquagésima sexta vértebra de Neymar.

Como já defendi inúmeras vezes, ao contrário do que muitos pensam, futebol não se joga somente com os pés. Se joga com braços, cotovelos e com todo o restante do corpo. Tudo, é claro, dentro de um contexto.  Um cotovelo que sobra numa disputa de bola é do jogo. Uma cotovelada pelas costas, não. Assim como usar a boca para falar e provocar é algo do jogo, enquanto usá-la para cuspir no adversário ou mordê-lo, não.

De qualquer modo, não tentarei aqui convencê-los de que o juiz acertou ao não expulsar Zuñiga pela falta em Neymar, ou de que a FIFA errou ao punir Leonardo de maneira exagerada na Copa de 1994. Sei que seria inútil que pedisse para avaliarem o lance pelo que foi, não pela consequência que gerou.

O que vale ser debatido é a postura da CBF neste episódio todo, nesta tentativa absurda de transformar a Copa do Mundo num grande Brasileirão, onde o auditor do STJD é mais decisivo que o centroavante do Fluminense.

Por que insistir na punição exemplar a Zuñiga? Por que tentar de maneira patética anular o cartão amarelo recebido de maneira infantil por Thiago Silva?

Fica claro que esta é mais uma arma utilizada pela CBF para tentar pressionar as decisões da arbitragem dentro de campo. No entanto, uma vez mais, tal como no episódio do pênalti forjado por Fred contra a Croácia, há grandes chances de o tiro sair pela culatra.

Se o Brasil conquistou a simpatia de muitos torcedores ao redor do mundo pelo futebol bem jogado, na ausência deste a seleção parece fazer questão de angariar a antipatia dos rivais e seus torcedores por meio de declarações e ações desastradas nos bastidores da competição.

Fosse a reclamação sobre os critérios adotados pela arbitragem na competição, a discussão poderia ser frutífera: vale a pena diminuir o risco de ver os grandes craques da competição suspensos de uma partida decisiva enquanto aumenta-se o risco de vê-los fora por contusão? É justa a expulsão de Marchisio ou Pepe e a falta de advertências para Messi (por lances ríspidos contra Suíça e Bélgica), Fernandinho ou até mesmo o próprio Zuñiga no lance em que acertou o joelho de Hulk?

No entanto, a CBF prefere fingir desconhecer o modo como Felipão vê o futebol dentro das quatro linhas (o alto número de faltas cometidas pelo Brasil não é à toa) e apequenar-se em sua postura fora de campo. E se o Brasil for campeão com um pênalti duvidoso na final ainda teremos de ouvir que a estratégia deu certo e a figura de Felipão será ainda mais festejada.

Talvez o Campeonato Brasileiro que temos é realmente o campeonato que merecemos…

 

 

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